Greve na Lufthansa é suspensa, mas voos ainda podem ser afetados no Brasil



Alberto Komatsu

A greve dos pilotos da alemã Lufthansa, que cancelou ontem 900 voos, incluindo dois vindos da Alemanha para São Paulo, foi suspensa até 8 de março. A paralisação, que afetou as viagens de cerca de 10 mil passageiros, foi promovida por 4 mil pilotos insatisfeitos com salários e que reivindicam estabilidade no emprego. A manifestação prosseguiria até quinta-feira e prometia ser a maior da história da empresa. No Brasil, 8 voos, de um total de 14 previstos para o período da greve, ainda poderão ser afetados.

“Estamos satisfeitos com o acordo porque agora a Lufthansa tem de retomar as negociações sem pré-condições”, afirmou à Associated Press o porta-voz do sindicato dos pilotos da Lufthansa, Joerg Handwerg. As negociações duraram duas horas numa audiência em um tribunal trabalhista. Segundo o porta-voz da Lufthansa, Andreas Bartels, apesar de os pilotos voltarem ao trabalho hoje, ainda vai demorar algum tempo para as operações voltarem ao normal, conforme divulgou ontem a AP.

A Lufthansa no Brasil informou que três voos ainda poderão ser cancelados hoje. São duas decolagens do aeroporto Internacional de Guarulhos, sendo uma para Frankfurt e outra para Munique.

O terceiro voo que poderá ser cancelado é proveniente de Frankfurt, com pouso previsto em Guarulhos. De acordo com a companhia, “a partir de quarta-feira, o horário de voos voltará sucessivamente ao normal”. Ainda segundo a empresa no Brasil as operações de voos só deverão estar normalizadas “dentro de alguns dias”.

Para a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Graziella Baggio, a greve dos pilotos da Lufthansa é um sinal da apreensão mundial da categoria com as fusões e aquisições no setor aéreo. Segundo ela, o temor entre os pilotos é a redução de salários, com a incorporação de companhias menores, que têm salários inferiores aos da Lufthansa.

A empresa alemã protagoniza, desde meados de 2008, um intenso movimento de fusões e aquisições. Durante esse período, comprou 19% da americana JetBlue, integrou definitivamente a Swiss, adquirida em 2005, e adquiriu um lote de 45% da Brussels Airlines.

No ápice da crise financeira mundial, no fim de 2008, comprou ainda 100% da Austrian Arlines e fez um acordo para assumir o controle da inglesa BMI. Por fim, a empresa alemã lançou a Lufthansa Italia, numa resposta à aquisição de 25% das ações da Alitalia pela concorrente Air France KLM.

“O sindicato dos pilotos está acusando a Lufthansa de transferir pilotos alemães para subsidiárias em outros países, com salários menores. Eles também querem estabilidade no emprego e garantir a permanência de pilotos mais experientes”, diz Graziella, acrescentando que os pilotos também reivindicam 6,4% de reajuste salarial.

A TAM, que tem um acordo de compartilhamento de assentos (code share) com a Lufthansa desde meados de 2008, informou ontem que acomodou passageiros com bilhetes de rotas operadas pela empresa alemã em voos da própria TAM e de outras empresas aéreas.

A parceria entre as duas companhias vale para os voos diários da Lufthansa de São Paulo para Frankfurt e nas cinco ligações por semana para Munique. De Frankfurt, o acordo permite ainda conexões com sete outros destinos no interior da Alemanha.

Fonte: VALOR ECONÔMICO, via NOTIMP



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