Brasil – Aeronáutica investiga se radares de avião da TAM atingido por turbulência podem ter falhado

SÃO PAULO – O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investiga por que os pilotos do voo JJ-8095 (Miami-São Paulo), da TAM, não desviaram da zona de turbulência segunda-feira, quando a aeronave se aproximava para pousar no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Dos 154 passageiros, 22 ficaram feridos. O Cenipa quer saber se os radares do avião estavam funcionando corretamente e se a turbulência foi captada a tempo de ser evitada. O Cenipa ainda não recebeu as gravações das caixas-pretas do Airbus, que confirmariam se o comandante pediu à torre de controle autorização para alterar o trajeto. Investiga-se ainda se houve essa solicitação e se ela foi autorizada.

A segunda hipótese é a de que um fenômeno meteorológico, a “turbulência de céu claro”, pode ter causado o acidente. Esse problema não é captado por radares. Nesse caso, é descartada a possibilidade de desvio da rota. Esse fenômeno gera ventos abruptos de até 150 quilômetros por hora. Há ainda a hipótese de o avião ter entrado em nuvens Cumulus nimbus, de tempestade, que podem ter desestabilizado o avião.

Menina fraturou o fêmur

Uma menina de três anos está entre os feridos no voo. A menina, que vinha sendo identificada apenas como “menor de idade” até esta quarta-feira, fraturou o fêmur esquerdo durante o incidente e está internada. A criança passou mal na terça-feira, depois de chegar em casa, em Ribeirão Preto, a 330 km da capital paulista, e foi submetida a uma cirurgia na terça-feira no Hospital São Paulo. Apesar do susto, ela passa bem, segundo o avô José Roberto Angerami. Além da criança, dois adultos estão internados, ambos com fraturas.

Angerami contou que a família havia viajado aos Estados Unidos para levar a menina para um tratamento de saúde.

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– Foi um acidente terrível. Houve tumulto no avião. Só quem passa por isso sabe – disse o avô, que também estava no voo.

Viajavam com ele, além da neta e do irmão dela, sua mulher e os pais da menina.

– Da nossa família, somente a minha neta se feriu. Mas todos estão abalados – afirmou ao jornal A Cidade.

Caí e vi minhas pernas voando. Lembro de ver uma mala passando por mim


O médico Edson Arantes da Silva, que operou a menina, disse que a fratura ocorreu em duas partes do fêmur esquerdo da criança e que o procedimento cirúrgico durou pelo menos uma hora.

– Foi uma correria. A menina tem problemas neurológicos e foi colocada em uma sala de recuperação após a cirurgia, onde aguarda a evolução do quadro – disse o médico.

Dois funcionários da TAM foram deslocados pela empresa ao hospital para dar assistência à família. Eles, no entanto, foram proibidos de falar sobre o acidente, e se limitaram a dizer que permaneceriam à disposição durante todo o tempo em que a família precisasse.

Inicialmente, a menina não aparecia entre os feridos no acidente. Até a internação dela, estimava-se que o número de feridos eram 21, sendo que oito chegaram a ser encaminhados para hospitais da capital paulista. Duas pessoas continuam internadas, também com ferimentos no fêmur. A Aeronáutica afirma que já iniciou investigações sobre o incidente, que fez o avião despencar por 1 km.

Mesmo após a operação, nesta terça-feira, o empresário Francisco Celestino Garcia continua sentindo dores . A filha dele, Aline Garcia Cury, disse que o pai fez hoje uma tomografia depois de sentir fortes dores no peito e nas costas. O empresário bateu com o corpo no teto da aeronave e fraturou o fêmur. Ele passou por uma operação de mais de 4 horas no Hospital Albert Einstein e recebeu oito pinos. Garcia deve ficar sem andar por quatro meses.

A aposentada Maria Inês Bernardes de Lima, de 73 anos, também quebrou o fêmur e duas vértebras. Ela deve ser operada nesta quinta-feira. A empresária Marilda Torres, de 56 anos, foi ferida no rosto. Ela não ficou internada, mas disse que está com dores e hematomas pelo corpo todo, além de muito cansaço. O marido de Marilda, Álvaro Antônio Filho, de 59 anos, também não está se sentindo muito bem. Ele está com dificuldade de andar e sente dores nas costas.

A empresária Marilda Torres ficou ferida, com o olho completamente roxo, como se tivesse levado um soco. Ela contou que tinha levantado para levar uma bandeja até a aeromoça e quando voltou, sentiu a turbulência.

– Era como um elevador caindo bruscamente. Caí e vi minhas pernas voando. Lembro de ver uma mala passando por mim. E acho que uma das rodinhas bateu na minha cabeça. Tentei voltar até o assento, mas não consegui. Fui me arrastando pelo chão.


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