Brasil – Homem que jogou avião sobre shopping em Goiânia era acusado de pelo menos quatro crimes

Cleide Carvalho, O Globo, Jornal Hoje, Goiasnet

Foto O Popular

SÃO PAULO e GOIÂNIA – O desempregado Kléber Barbosa da Silva, de 31 anos, que jogou o avião monomotor que pilotava contra a entrada principal do shopping Flamboyant, em Goiânia, no início da noite de quinta, já tinha passagens pela polícia e era acusado de pelo menos quatro crimes: roubo e furto qualificado, lesão corporal e estelionato. Os crimes teriam sido cometidos na cidade de Ceres, no interior de Goiás, e em Goiânia. Ele também estava sendo acusado de estuprar uma menina de 13 anos na cidade de Aparecida de Goiânia e teria a prisão decretada. A vítima já tinha reconhecido Kléber como o estuprador e a polícia já estava em seu encalço.

– Estamos apurando se ele tinha condenações por esses crimes anteriores ao estupro – disse o delegado Manoel Barbosa, responsável pela investigação do acidente, em que morreram Kléber e a filha dele Penélope Barbosa, de 5 anos. (G1:câmeras do shopping registraram o momento da queda)

O delegado afirmou que a mãe da menina e mulher de Kléber, Érika Correa dos Santos, será ouvida na próxima terça-feira. Erika recebeu alta do hospital e foi até o velório da filha. Visivelmente abalada e debilitada, ficou pouco tempo.

– Seria um desrespeito ouvi-la no dia em que a filha foi enterrada – disse o delegado.

Barbosa infirmou que os destroços do avião foram vasculhados pelos peritos e a arma que Kléber usou para render o piloto no aeroclube de Luziânia e roubar o avião não foi encontrada.

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– Vasculhamos cada detalhe dos destroços e a arma não foi encontrada – afirmou.

O delegado acredita que o fato da menina de 13 anos ter reconhecido Kléber como o homem que a estuprou foi o estopim da tragédia.

– Kléber era um homem deprimido há algum tempo pela falta de emprego. Enfrentava um crise conjugal e poderia ser preso por estupro. Ele acreditava ter matado a mulher ao agredi-la com o extintor do carro e por isso decidiu dar fim à sua vida e levar a filha junto – disse o delegado.

Para Barbosa, o alvo era o shopping.

Em entrevista à CBN Goiânia, a madrasta do rapaz, Alzira da Silva Lopes, e o pai, Miguel Barbosa da Silva, negaram ter conhecimento dos crimes cometidos por Kléber. Eles, inclusive, disseram duvidar que o estupro tenha sido cometido por ele. Visivelmente abalado, Miguel Barbosa afirmou que desconhecia que o filho sofresse de depressão, que fosse violento ou que tivesse tendências suicidas.

O corpo de Kléber, que foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde, foi sepultado no cemitério Jardim das Palmeiras. A filha dele foi enterrada no cemitério Vale da Paz, em Aparecida.

Vítima decorou placa do carro de Kléber

A menina vítima de estupro mora em Aparecida de Goiânia, a 15 quilômetros da capital goiana. A polícia chegou até Kléber porque a menina decorou os números da placa do carro do estuprador: 4347. A placa do Vectra de Kléber é KDP 4347. O Instituto Médico Legal (IML) coletou material do desempregado para compará-lo ao sêmen coletado nos exames da menina. Foi feito ainda exame toxicológico, para saber se ele estava sob efeito de alguma substância química ou drogas no momento do crime. O corpo foi liberado no começo da tarde.

A polícia de Aparecida de Goiânia acredita que ele falou à mulher sobre a acusação de estupro e tentou uma fuga desesperada nesta quinta-feira, o que só poderá ser confirmado com o depoimento de Érika Corrêa dos Santos, de 23 anos. Érika recebeu alta na manhã desta sexta-feira e foi ao velório da filha Penélope. Durante a fuga, Kléber agrediu a mulher com o extintor de incêndio e a jogou para fora do carro numa estrada antes de seguir para o aeroclube de Luziânia e roubar o avião.

No aeroclube, ele alegou que faria um vôo panorâmico com a criança. Em seguida, ameaçou o piloto de morte, dizendo que já havia matado uma pessoa, e tomou a direção do avião. Para a polícia, Kléber acreditava ter matado Érika.

Violência sexual

Júlio da Silva, investigador da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Aparecida de Goiânia, afirmou que a menina vítima de estupro foi abordada pelo acusado no bairro Buriti Sereno. Ela morava com a avó no interior do Tocantins e tinha se mudado para a casa da mãe na cidade há pouco tempo. Para o policial, ela é uma menina ingênua, fácil de ludibriar, e teria aceitado entrar no carro do rapaz.

– Ele rodou com a menina no carro pela cidade e parou em um lugar ermo, com mato, onde a violentou. Ele não estava armado, mas usou a força física e fez ameaças para dominá-la – disse o investigador.

Após o estupro, a menina foi deixada perto da casa dela.

– A sorte foi que ela decorou os números da placa, que eram fáceis. Tínhamos apenas isso como informação e ouvimos testemunhas, que identificaram o carro como um Vectra. Buscamos a foto dele no Instituto de Criminalística, com base nos dados da carteira de identidade. Ela o reconheceu de pronto – afirmou o investigador.

Para o policial, Kléber soube que havia sido reconhecido pela vítima. O pedido de prisão temporária contra ele havia sido preparado nesta quinta e seguiria hoje, sexta-feira, para a Justiça.

Para Silva, o fim da investigação e a chegada ao autor do estupro está ligado ao ato desesperado de Kléber, que matou a filha e se suicidou.

– Ele ficou sabendo de alguma forma. Inicialmente, já tinha sido divulgado o número da placa do carro na mídia local, sem as letras – explicou o policial.

A tragédia

Kleber roubou um avião e fez manobras perigosas sobre Goiânia até a aeronave despencar no estacionamento do shoppping Flamboyant. O avião monomotor de prefixo PT-VFI caiu por volta de 18h30m no estacionamento principal do Shopping Flamboyant. Pai e filha morreram no acidente. Eles haviam sobrevoado a cidade por cerca de uma hora antes da queda.


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