O caminho das notícias da Índia: LCA, MCA e MMRCA





Os últimos dias têm sido pródigos em notícias dos jornais e sites indianos sobre os futuros meios da Força Aérea do país. Sobre o LCA – Light Combat Aircraft / Aeronave Leve de Combate, também conhecido HAL Tejas e que já frequentou diversas vezes o Blog do Poder Aéreo e o Blog Naval, o jornal The Hindu noticiou que a EADS deverá realmente auxiliar no esforço por diminuir o peso do trem de pouso da aeronave. O programa está atrasado, e um dos motivos é a necessidade de refazer o projeto dos freios, do próprio trem de pouso, além reavaliar as especificações das rodas e pneus para reduzir o desgaste. Assim, além de prestar serviços relativos ao programa de testes da aeronave, acelerando as fases de liberação inicial e final do modelo para operação, o conglomerado europeu prestaria assistência por 48 meses nos esforços para a redução do excesso de peso da aeronave, estimado em 1,5 toneladas segundo o The Hindu, sendo que apenas o trem de pouso da versão naval já estaria com 400 quilos a mais do que o desejável.

Já o jornal Deccan Herald afirmou que o futuro do motor Kaveri, que vem sendo desenvolvido para equipar o LCA, tem sido alvo de discórdias entre a Força Aérea Indiana e o GTRE (Gas Turbine Research Establishment – estabelecimento de desenvolvimento de turbina gás). Na opinião da primeira, o empuxo da turbina está aquém do necessário e as propostas de desenvolvimento conjunto, junto a empresas estrangeiras, de componentes das “partes quentes” do motor não ofereceriam vantagens significativas em desenvolvimento de tecnologia. Isso porque a proposta estrangeira em questão, da Snecma francesa, residiria em adaptar à turbina indiana o “‘núcleo” do motor M-82, cujo desenvolvimento já está completo e não proporcionaria ganhos tecnológicos à indústria local, e implicaria no pagamento de pesados royalties. Por outro lado, o GTRE vem se esforçando para que a parceria com a Snecma vingue, como meio de garantir o futuro desenvolvimento do motor, que já consumiu muitos anos de trabalho e recursos. A Força Aérea Indiana já estaria prestes a mandar o RFP (Request for Proposal) para os fabricantes de dois motores que poderão equipar a versão “MkII” do Tejas: o GE 414 (que equipa o F-18 Super Hornet norte-americano) e o Eurojet EJ 2000 (que equipa o Eurofighter Typhoon). Os primeiros dois esquadrões da aeronave ainda estariam equipados com a motorização atual, o GE 404, para liberação inicial para operações.

Mas também há notícias de avanços no desenvolvimento do LCA. Segundo o Times of India, após 26 anos de desenvolvimento o Tejas chegou à sua milésima surtida, ultrapassando 530 horas de voo. Com dois demonstradores de tecnologia, três protótipos e duas aeronaves de pré-produção participando do desenvolvimento, e um protótipo biposto já montado, o projeto estaria ganhando “momentum” e maturidade, e o ministro da defesa A K Antony teria prometido que a Força Aérea Indiana receberá seus primeiros Tejas por volta de 2011, inicalmente em um esquadrão de 20 aeronaves, com a meta de chegar a pelo menos sete esquadrões. O “glass cockpit” da aeronave já teria sido extensivamente testado em suas interações com o capacete tipo DASH e o pod laser de designação de alvos. O disparo de mísseis ar-ar R-73 vem sendo realizado e a integração do radar multi-modo deverá estar finalizada nos próximos meses. Segundo o jornal The Hindu, o Tejas pela primeira vez lançou bombas de exercicio no seu programa de testes de armas nesta semana, com sucesso. O objetivo dos testes não é apenas comprovar a precisão do sistema de tiro, mas a capacidade do sistema fly-by-wire da aeronave em ajustar o voo da Tejas (naturalmente instável para ganhos de manobrabilidade) às diferenças de centro de gravidade resultantes do lançamento de armas.

Paradoxalmente, a recessão mundial também poderá ajudar no desenvolvimento do LCA, segundo a a versão indiana do zeenews.com. Isso porque a constante saída de técnicos altamente qualificados do programa, que pode ser considerada um dos motivos para os atrasos no projeto, tende a diminuir, já que as tentadoras ofertas do mercado de trabalho em Tecnologia da Informação também diminuiram com a crise. Diversos técnicos que já trabalharam no projeto teriam mostrado disposição em voltar.

Já sobre o projeto do MCA (medium combat aircraft – avião de combate de porte médio) a mesma publicação (zeenews.com) noticiou que a aeronave, que deverá ter características stealth, será desenvolvida em uma parceria da ADA (Aeronautical Developement Agency – agência de desenvolvimento aeronáutico) com a Força Aérea Indiana, segundo informações do diretor da agência. Na categoria de peso de 20 toneladas, a aeronave estaria sendo planejada para receber o motor Kaveri aprimorado pela Snecma, segundo o que o site apurou junto à ADA, apesar das dúvidas que a Força tem a respeito do futuro da turbina (vide notícia mais acima). A idéia é que o desenvolvimento do novo vetor seja, desde o início, uma atividade conjunta da ADA com a IAF (Indian Air Force – Força Aérea Indiana).

Por fim, o MMRCA: segundo o IndiaDefense, a parte técnica de avaliação dos seis concorrentes ao programa “medium range multi-role combat aircraft” (avião de combate multifuncional de alcance médio), já estaria praticamente completa, e os voos de avaliação, ou “testes de campo” deverão ser iniciados em abril ou maio. Os concorrentes são o MiG-35, o Dassault Rafale, o Eurofighter Typhoon, o SAAB Gripen, o Boeing F-18E/F Super Hornet e o Lockheed Martin F-16, e as propostas (algumas com 10.000 páginas) dos fabricantes foram entregues em abril do ano passado. Há a obrigação contratual de que o vencedor invista pelo menos 50% do valor do contrato final na indústria indiana ou na Índia em geral (offset). Ao todo a Força Aérea Indiana pretende adquirir 126 jatos.

Enquanto o programa prossegue, a força atual de caças e aviões de ataque indianos continua a receber modernizações, de que já foram objeto as frotas de Jaguar, MiG-27 e MiG 21-BIS, sendo que o programa do MiG-29 está em andamento e o do Mirage-2000 deverá ser iniciado em breve. Ao mesmo tempo, a introdução em serviço de novas unidades de Su-30 MKI, produzidas localmente pela Hindustan Aeronautics Ltd (HAL) em Nashik, estaria sendo acelerada.

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